Áquila

Paulo Rogério B.Rocco

Como o dia e a noite

Como o lobo e a águia

Como a fantasia e o real

Como o sonho fundamental

 

Atravessamos pontes do desejo

No ensejo de parar essa ampulheta

Que jorra a areia que torna esse deserto

Um oásis de caminhos de girassóis abertos

 

Procurando direções para onde possamos olhar

Sem, no entanto, cegar as retinas ao vermos o sol

Que em sua rotina cede à lua a coroa do céu estrelado

E somente uma noite, na direção da bússola se encontram

 

Para então entrelaçados e sozinhos, arriscarem a sua felicidade

E se encontrarem como se não fossem o dia e a noite, o sol e a lua

O lobo e a águia, a feitiço e a benção, o filme e a canção, ilusão e o real

Contrários que se unem e formam os versos dessa poesia filmada que é sua

O Museu das Poesias

Paulo Rogério B. Rocco

Mergulho o pincel da ponta dos dedos

Na tinta sem cor do negro teclado

E atiro para todos os lados

Como se pintasse

Quadros

 

Abstratos impressionando quem os vê

Tentando decifrá-los a todo custo

Porém cada qual, como eu

Tem os ingressos

Limitados

 

A poucos olhos é permitido decifrá-los

Os mesmos que recebem convite

Exclusivo pra ver a galeria

Onde acessos são

Permitidos

 

E deixo assim transparecer minh’alma

Como em um museu de história

Para a visitante que é dona

Da minha melhor

Memória

 

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