Simetria da Alma
Paulo Rogério B. Rocco
Olho hoje para o céu que de ontem é diferente
Diferentes ele e meu olhar, pois ontem não o via
Encoberto sob nuvens de pensamentos o escondia
Imaginando mundos que criava só na minha mente
Neste mundo de fantasias, personagens e vida
Derramando de poesias que o artista proclamava
Reconheci o menino que ali escondido me olhava
Como quem observa uma linda infância e convida
A correr, debaixo de chuva fina, atrás do nada
Somente para agarrar a aventura nova deste dia
Que fazia das horas brincadeiras urgentes e cada
Minuto se tornava a benção que do céu escuro caía
Criança que em outro tempo ainda se vê assim
Neste sonho a menina mais bonita conquistando
Mesmo que no mesmo sonho ela se esvai de mim
Como imagem que flutua na água que vai escoando
Porém de que valeria um sonho assim tão lindo
Se um dia desta vida ele não se tornasse verdade
Como o brilho da estrela que mesmo não existindo
Chega até esse nosso olhar que observa a saudade
Então resolvo acordar e ouço a chuva no telhado
Olho pela janela e o céu nem deixa se ver com lua
Quando vou maldizer o sonho que havia terminado
Acredito nele, na vida, no destino e na presença sua
Percebo que um sonho desperto é ainda perfeito
Ao contornar com as mãos a simetria de sua alma
Que se intensifica no corpo aninhado em meu peito
E revela, pouco a pouco, um sentimento que acalma
O Escultor
Paulo Rogério B. Rocco
Um jovem escultor molhou as mãos
E tocou a argila com os dedos
Finas espátulas a desenhar
Contornos simétricos que
Ajeitavam-se criando
Formas perfeitas
Só imaginadas
Em sonhos
E a criação
Como mágica
Tomou-se de vida
Olhando para o escultor
Abraçando seu corpo sujo
Envolvendo-o na energia viva
Transformando-o como quem pega
O barro e nele constrói sua outra alma
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