A Fada

Paulo Rogério B. Rocco

Um dia uma fada veio comigo tentar falar

Rodeava ao meu lado como um belo inseto

Mas nem a ouvi. Imaginei que era um sonho

Desses que a gente sonha acordado e não crê

 

E a criatura, lindíssima, aproximou-se a cantar

Em tons que meus ouvidos não ouviam ao certo

Nem distinguiam as palavras que aqui eu ponho:

“latnemadnuf é roma o etnemos”. Não como se lê

 

Não dei ouvidos para a magia daquele sopro de ar

E abandonei sonhos, deixados, jogados no caminho

Nunca mais ouvi aquela fada e ela também não voltou

Cresci sem saber que devia continuar a ser uma criança

 

Mas depois de tantos anos, em uma noite de um intenso luar

Vi na rua, a caminhar, uma mulher que me olhava com carinho

E na calçada passeava como quem voava com asas e as soltou

Repetiu a frase que agora ouvi. Cresci, mas ainda tenho esperança

 

Aquarius

Paulo Rogério B. Rocco

Tenho comigo uma razão de seguir

O destino delineado pela Era

De Aquarius e por meu

Ascendente

 

Trago comigo o som de Joe Cocker

E com uma pequena ajuda

Dos amigos que não

Tenho, sigo

 

Ouvindo Who, Janis, Hendrix ou eu

Cantando para que a força

Aumente meu grau e

Essa visão

 

E deixe de lado o que me atravanca

Que me solte para que voe

Em direção ao destino

Que Era

 

Desde o começo do festival previsto

Em profecias e hieróglifos

Através desse século:

Só você

 

Twitter

Paulo Rogério B. Rocco

Espaço pequeno esse aqui, desse jeito,

Para dizer o que sinto agora.

Que é o mesmo que a toda hora.

E que escrevo a você de dentro do peito.

 

De Passagem

Paulo Rogério B. Rocco

Nem que for de passagem

Assim, rápido, como o prazer

Nem que for a um segundo além

Mas será o suficiente para me vencer

 

E fazer do meu dia uma grande festa

Que dura apenas esse segundo

Onde vejo assim pela fresta

Toda essência do mundo

 

Resumida na velocidade

Do carro que sobe pela rua

Exalando girassóis pela cidade

Criando uma escada florida até lua

 

Tudo isso é causa e efeito do vento

Que sopra perto desse paraíso

Cegando o sol no momento

Que abre o seu sorriso

 

Áquila

Paulo Rogério B.Rocco

Como o dia e a noite

Como o lobo e a águia

Como a fantasia e o real

Como o sonho fundamental

 

Atravessamos pontes do desejo

No ensejo de parar essa ampulheta

Que jorra a areia que torna esse deserto

Um oásis de caminhos de girassóis abertos

 

Procurando direções para onde possamos olhar

Sem, no entanto, cegar as retinas ao vermos o sol

Que em sua rotina cede à lua a coroa do céu estrelado

E somente uma noite, na direção da bússola se encontram

 

Para então entrelaçados e sozinhos, arriscarem a sua felicidade

E se encontrarem como se não fossem o dia e a noite, o sol e a lua

O lobo e a águia, a feitiço e a benção, o filme e a canção, ilusão e o real

Contrários que se unem e formam os versos dessa poesia filmada que é sua

O Museu das Poesias

Paulo Rogério B. Rocco

Mergulho o pincel da ponta dos dedos

Na tinta sem cor do negro teclado

E atiro para todos os lados

Como se pintasse

Quadros

 

Abstratos impressionando quem os vê

Tentando decifrá-los a todo custo

Porém cada qual, como eu

Tem os ingressos

Limitados

 

A poucos olhos é permitido decifrá-los

Os mesmos que recebem convite

Exclusivo pra ver a galeria

Onde acessos são

Permitidos

 

E deixo assim transparecer minh’alma

Como em um museu de história

Para a visitante que é dona

Da minha melhor

Memória

 

Narf

Paulo Rogério B. Rocco

Com um traço linearmente perfeito

Delineado com pena de ouro em nanquim

Seguindo formas clássicas, porém de vanguarda

Simetricamente repartindo essas jóias que a conduzem

 

Belíssima criatura que é condutora desses meus passos

Arrastando-me a contos de fadas ainda a contar

Às crianças que creem nesse lindo paraíso

Onde vive um ser igualzinho a mim

 

Dos braços às mãos, nesses abraços

Envolvendo pernas e balanços nesse mar

Encobrindo até a cabeça, escondendo o sorriso

Vivendo fantasias, roteiros fantásticos e sedução enfim

 

Mergulhando sem oxigênio na água límpida de um jeito

Como se fosse a sereia, princesa ou coisa assim

Pronta a me encantar e tirar dessa jangada

Atirando-me na água onde reluzem

 

Estrelas do mar, cadentes e acesas

E iluminam o caminho em direção à poesia

Para que a Narf erga-se por entre ondas brancas

E leve minha mente e mãos às teclas mágicas da vida

 

Sem pular nenhuma palavra que eu termine a obra lida

Inspirando-me em novos voos sem que trancas

Prendam-me à realidade crua no dia-a-dia

Pra ser visto por Narfs ou princesas

 

Ordenação

Paulo Rogério B. Rocco

Todas vocês, prestem atenção

Principalmente as quatro aí do fim

Gostaria de um pouco de ordem na frase

Pelo menos algo que se entenda mais facilmente

Não precisa ter nenhum significado filosófico profundo

Basta ser simples, como é bem simples, assim simplesmente

 

Parem de se embaralhar como se corressem em minha mente

Fiquem na ordem exata, por mim e por todo este mundo

Que precisa de vocês para que, ao menos, a gente

Entenda que mesmo a lua em qualquer fase

Está inteira a espera de um verso assim

De um poeta de todo o coração

 

E por mais tímida e sem calor

Minguando em sua névoa tão espessa

Ainda inspira cantos em todos esses cantos

Mas vocês têm que estar juntas para isso acontecer

Uma de cada grupo, a começar por você, daí a primeira

Que está sempre na frente de todas, como se tudo dependesse

 

De começar do início. Mas se começa também como se lesse

Um livro do destino de trás pra frente ou como se queira

Assinalando com um marca texto cada letra que ver

Que perfiladas criam dos risos aos prantos

Poesias talvez até confusas como essa

Pois bem, letras, formem o amor

A Bússola

Paulo Rogério B. Rocco

As setas giram no sentido horário e ao inverso

Como minha cabeça ao tentar compor o verso

Que versa sobre a direção em que devo seguir

Ontem, hoje, depois de amanhã, indo só por ir

Sem contar com a bússola que quebrou agora

Como relógio que enfeita, mas não marca hora

Sigo o caminho indo pelas estrelas do inverno

Que guiam a direção desse meu rumo interno

É quando seu brilho se intensifica e me indica

A flecha que pára na constelação e que ali fica

Mostrando a sua luz para o meu norte retomar

Sei onde me encontro, só não sei como chegar

 

Estrela de Dia

Paulo Rogério B. Rocco

Prometi para hoje uma poesia

Que fosse assim como um pedido

De desculpa por um tempo sem ver

Versos surgirem e se ordenarem assim

Quase que sozinhos, inspirados pela alma

Que reflete a beleza de quem possui sua face

 

Espero cumprir essa parte e deixar que passe

As estrofes já formadas nessa mente calma

Tranquila pela paz que irradiou em mim

E deixar no papel a lembrança de ter

Idéias para um poema escondido

Que surge como estrela de dia

 

Alta Tecnologia

Paulo Rogério B. Rocco

Qual força tecnológica impera na transmissão

De dados tão perfeitamente conectados

E sem falha nenhuma intermitente

Nem uma queda de energia

Capaz de se submeter

A uma interrupção

De momento

 

Comparada à mais alta tecnologia é perfeição

Poucos têm acesso aos seus cuidados

E mesmo a um ou a outro somente

É autorizado no dia após dia

Isso que podemos ter

Nossa transmissão

De pensamento

 

Simetria da Alma

Paulo Rogério B. Rocco

Olho hoje para o céu que de ontem é diferente

Diferentes ele e meu olhar, pois ontem não o via

Encoberto sob nuvens de pensamentos o escondia

Imaginando mundos que criava só na minha mente

 

Neste mundo de fantasias, personagens e vida

Derramando de poesias que o artista proclamava

Reconheci o menino que ali escondido me olhava

Como quem observa uma linda infância e convida

 

A correr, debaixo de chuva fina, atrás do nada

Somente para agarrar a aventura nova deste dia

Que fazia das horas brincadeiras urgentes e cada

Minuto se tornava a benção que do céu escuro caía

 

Criança que em outro tempo ainda se vê assim

Neste sonho a menina mais bonita conquistando

Mesmo que no mesmo sonho ela se esvai de mim

Como imagem que flutua na água que vai escoando

 

Porém de que valeria um sonho assim tão lindo

Se um dia desta vida ele não se tornasse verdade

Como o brilho da estrela que mesmo não existindo

Chega até esse nosso olhar que observa a saudade

 

Então resolvo acordar e ouço a chuva no telhado

Olho pela janela e o céu nem deixa se ver com lua

Quando vou maldizer o sonho que havia terminado

Acredito nele, na vida, no destino e na presença sua

 

Percebo que um sonho desperto é ainda perfeito

Ao contornar com as mãos a simetria de sua alma

Que se intensifica no corpo aninhado em meu peito

E revela, pouco a pouco, um sentimento que acalma

 

O Escultor

 

Paulo Rogério B. Rocco

 

Um jovem escultor molhou as mãos

E tocou a argila com os dedos

Finas espátulas a desenhar

Contornos simétricos que

Ajeitavam-se criando

Formas perfeitas

Só imaginadas

Em sonhos

 

E a criação

Como mágica

Tomou-se de vida

Olhando para o escultor

Abraçando seu corpo sujo

Envolvendo-o na energia viva

Transformando-o como quem pega

O barro e nele constrói sua outra alma

O Trilho

Paulo Rogério B. Rocco

 

Todas as linhas me levam ao seu rastro

Como se um mapa sob o sol pintasse

Um caminho marcado entre o astro

 

E uma estrela que não apagasse

 

 

 

Que nunca perdesse o seu brilho

 

Como um cometa de cauda multicor

 

E me arrastasse por este incrível trilho

 

Que chega, um dia, na estação do amor

 

A Profecia

Paulo Rogério B. Rocco

 

Ela desce da nuvem mais alta e flutua

Desviando de pássaros que a cortejam

Perfilando-se em um corredor aberto

Por onde vai deslizar a roupa leve

Que contorna o seu corpo que voa

A sussurrar movimentos de balé

E demarcar no vácuo silhueta

Como se fosse a constelação

De um novo signo a surgir

A confirmar uma profecia

Que disse que desceria

Do céu naquela noite

Cavalgando cometas

A linda princesa

Que uniria o

Sonho ao

Real

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